Ensaio do Biel

Nunca liguei para ensaio de grávida, mas sempre quis fazer ensaio de newborn e sempre comentei com uma amiga que ela seria responsável pelos cliques. Acabou que ela foi morar em outro país e não estava aqui no Rio para fazer o ensaio do Biel.

Eu já tinha desistido, até que um bichinho me mordeu e eu comecei a ficar inquieta, pensando que iria perder o momento, que perderia o registro e tal. Conversei com a minha amiga, que indicou a Aline Sena para fazer as fotos. Entrei em contato para ver se ela tinha disponibilidade e começamos a combinar. Acabou que marido pegou dengue e passou uma semana de cama e como só podemos fazer as fotos no final de semana, o ensaio não acabou sendo de newborn, pois Biel já tinha um mês e três dias. Mas nem por isso as fotos ficaram menos fofoléticas! A Aline publicou hoje em seu blog algumas imagens, devemos receber o dvd com todas ainda esta semana. Nem preciso dizer que estou ansiosa.com, né?

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Para ver mais fotos: http://alinesena.com/gabriel/

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maternidade X solidão

Nos primeiros dias, marido foi meu fiel companheiro, mas como a licença paternidade só dá direito a cinco dias corridos, durou pouco tempo. Aí foi a vez de minha mãe assumir, ela tirou férias do trabalho e veio ficar comigo quase todos os dias por três semanas. O cuidado com o Biel era de minha responsabilidade, mas sua presença era importante. Ela cuidava de mim, da minha alimentação e o melhor, me fazia companhia. Nos dias que ela não podia, minha irmã e meu pai assumiam.

Mesmo que apenas algumas horas por dia, essas companhias eram fundamentais para a minha sanidade mental e física. Até porque no início tudo é meio caótico. Biel e eu nos conhecendo… A demanda por atenção era grande. Não que ele não demande hoje em dia, mas agora ele já consegue ficar sozinho no berço ou na cadeirinha se distraindo sozinho por alguns minutos. No início, tinham dias, que eu acordava às seis da manhã para amamentar e só conseguia comer algo por volta das onze da manhã. Almoçar? tomar banho? artigo de luxo e raro. Além do mais, agora já estou mais sagaz, já descobri maneiras de entretenimento mesmo que sejam por cinco minutos, desenvolvi a técnica de fazer tudo com uma mão só, enquanto a outra segura a cria e por aí vai.

As férias da minha mãe acabaram e meus dias passaram a ficar vazios. Minha irmã tem seus compromissos e consegue vir aqui no máximo uma vez por semana, meu pai idem. Os restantes dos dias sou eu, Biel, Biel e eu. Por isso, a nossa rotina de passeio é tão rica, mas mesmo assim às vezes me sinto muito sozinha. Por mais que eu ame o meu filho e a gente fique grudadinhos vinte e quatro horas por dia e é uma delícia… ele ainda não conversa, né?  Sem contar que a maioria das visitas só podem vir fora do horário comercial. Acaba que o meu dia a dia é muito solitário.

Sem falar nas madrugadas amamentando. Talvez quem dê mamadeira sinta menos, porque dar a mamadeira é uma tarefa unisex e pode ser divida com o pai. Mas dar o peito é tarefa exclusiva da mãe. Então, são mais dois momentos do dia que eu fico sozinha, interagindo com o Biel, a televisão e as redes sociais.

Conversando com outras amigas, vejo que não estou sozinha. Muitas mães possuem o mesmo sentimento. Diante disso, cheguei a conclusão de que a maternidade é a solidão mais coletiva que existe.

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A minha maternidade

Hoje é dia das mães, o meu primeiro.

Há um mês e vinte quatro dias vivi dois nascimentos: o do meu filho e o meu como mãe. Neste tempo, estamos nos conhecendo e aprendendo juntos esse novo ofício. Ele se acostumando as sensações, aos incômodos fisiológicos, aos estímulos, medo, carência, carinho, etc. Eu, por vez, administrando e tentando suprir todas suas necessidades e as minhas também.

Com suas devidas proporções, o ser mãe nasce tão imaturo e indefeso quanto um recém-nascido. Somos seres repletos de medos, dúvidas e incertezas, buscando dar o nosso melhor para aquele serzinho que depende exclusivamente de nós.

Nessas sete semanas, estou me redescobrindo como mulher, filha, irmã, cidadã. Todos os papéis que já exerci na vida estão passando por uma transformação e sendo reposicionados, repensados.

Agora sou mãe. Com todo o cansaço, desgaste físico e psicológico que pode ser gerado por noites dormindo pouco e o medo do desconhecido (incluindo o medo do filho) tenho vivido a fase mais plena e feliz da minha vida.

Sou MÃE em caps lock e em negrito, porque faço questão de lamber minha cria e estar disponível para ele sempre que precisar. Amamento sempre que ele quer ou necessita, dou colo, carinho, falo que amo, canto, converso, explico as coisas da vida, peço desculpas e tento fazer a maior parte das coisas que envolve a sua rotina.

Em suas primeiras semanas de vida não consegui colocá-lo para dormir no berço porque sentia saudade / insegurança dele ficar longe de mim, do meu corpo. Fui e sou responsável por todos os banhos de sua vida (inclusive o da maternidade). Troquei 98% de suas fraldas e por aí vai.

Sou mãe-leoa com um que de polvo. Tenho a consciência de que eu deveria delegar mais, mas por enquanto não sei ser diferente.

Já chorei de cansaço e algumas horas depois chorei de saudade porque ele estava dormindo. Contraditório? Imagina! Se está certo ou errado, não sei. Quem sabe o tempo nos dirá. Só sei que por enquanto está funcionando para a gente. A cada semana percebo que ele está mais carinhoso, seu corpinho está mais forte, duro e coordenado e sua percepção está mais aguçada. Cada dia é uma descoberta e eu só tenho a agradecer por esses cinquenta e cinco dias da minha nova vida.

Feliz dia das mães para mim e para todos os tipos de mães =D

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rotina: passeio

Em sua primeira semana de vida passamos os dias em casa. Eu ainda estava me adaptando a nova rotina de ter um baby que demandava muito de mim, estava tentando lidar com a amamentação e com os meus seios feridos. A primeira vez que saímos ele tinha 6 dias de vida, fomos na rua trocar um presente que minha sogra tinha dado para o Biel. Montei o carrinho (sim, até então ele não tinha sido aberto e muito menos usado) e lá fomes eu, maridón e nosso filhote.

Tudo lindo e normal, né? Se não fosse o medo, a ansiedade que este primeiro passeio me trouxe. Comecei a sentir um medo de qualquer coisa. Achei o carrinho bonito e novo demais, logo iria chamar atenção para ser roubado. Achei que meu filho lindo fosse chamar a atenção na rua, que poderiam tentar roubá-lo de mim… Enfim, imaginei milhares de tragédias que me fizeram guiar o carrinho com a mão apertada e olhar apreensivo a qualquer movimento durante o trajeto.

Na volta marido pediu para guiar o carrinho, deixei ele levar com o coração apertado, quando estávamos chegando perto da nossa rua falei: “Posso levar?” Ele perguntou o porque, meu olho encheu de água e eu comecei a explicar os meus medos. Voltei para casa empurrando o carrinho.

Na minha cabeça louca só EU seria capaz de defender o meu filho de qualquer mal… vai entender? Não tente! Porque eu desisti.

Enfim, passaram alguns dias e eu comecei a me sentir presa em casa. O sentimento de prisão ultrapassou o medo e eu comecei a fazer pequenos passeios acompanhada pelo marido, por minha mãe, por irmã, amigas e para lugares perto e com segurança.

Até que um dia não tinha companhia e o lugar perto com segurança já não me bastava. Precisava andar mais, ver gente e coisas novas/ diferentes. Mesmo com tiquinho de medo, peguei meu filho, garrei no carrinho e resolvi fazer passeios diferentes. Hoje em dia já estou “curada” do meu medo. Claro que tenho receio. Olho com cuidado e desconfiança para os acontecimentos ao meu arredor. Tento prever os possíveis problemas a frente e por aí vai.

Mas percebi que os dias que fizeram frio ou choveu e não conseguimos sair, ele ficou mais chatinho, enjoadinho e me deu trabalho a noite e eu também preciso sair!!! Ou seja, para a nossa saúde mental precisamos de rua! hehehe Para fechar e ilustrar os posts, alguns cliques das nossas andanças!

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Relato de parto – parte 2

Relato de parto – parte 1

Como o relato é escrito no meu “tempo livre”, ele é escrito aos poucos, por isso é um texto aberto, conforme for lembrando de detalhes ou partes importantes, vou incorporando. Mas posso adiantar para as curiosas (os) de plantão que tive um parto natural (livre de qualquer tipo de intervenção), na qual o respeito, o carinho estiveram presente em todos os momentos. Biel nasceu às 6:06am do dia 18 de março de 2013 com apgar 10, 52cm e 3,475g de muita gostosura.

Depois que a Diana (E.O) saiu daqui, resolvemos lanchar. Pedimos comida e seguindo o conselho da Diana pedi um suco de melancia com gengibre. Não dizem que comidas picantes ajudam no TP? Era a hora de tentar! Aquela altura as contrações estavam começando a ficar bem incomodas. Como falei na primeira parte do relato, a cada contração meu corpo se contraía por inteiro. Neste momento mandei mensagem para minha obstetra, falei que estava monitorando as contrações, expliquei que elas já estavam intensas e constantes.

Ela me conhecendo e sabendo da minha tendência de querer controlar a situação respondeu: “Oi Ju, lembra da máxima do Odent que a adrenalina é antagonista da ocitocina? Enquanto você estiver esperando as contrações elas não virão. Relaxe e não conte. Quando a coisa apertar você vai perceber. Passe a função de contar para o Rodrigo, desde que ele não te passe o relatório. Apenas surfe na onda e confie no seu corpo. Beijos”

Fiz o que ela mandou, Rodrigo assumiu o controle. Logo em seguida, ligamos para a Kira e pedimos para ela vir aqui para casa, pois as contrações já estavam constantes, ritmadas e bem doloridas. Ela passou algumas instruções para o Rodrigo, dentre elas me colocar debaixo do chuveiro com água quente. E lá eu fiquei até ela chegar.

Sentei debaixo do chuveiro, no chão mesmo e deixei a água bem quente cair sobre o meu corpo. A cada contração eu fazia uma conchinha com a mão e jogava a água na barriga, isso ajudava e muito a aliviar a dor. Quando a Kira chegou esse recurso já não adiantava mais, as contrações já estavam bem forte e incômodas.

Neste momento, ela me ensinou uma das coisas mais valiosas do TP: como passar pela contração. Ela percebeu que ao iniciar a contração, eu estava contraindo todos os músculos do meu corpo e explicou que eu deveria fazer justamente o contrário. Então, depois de absorver o que ela me falou – porque acreditem, neste momento você já está num universo paralelo chamado partolândia e o seu corpo tem vida e vontade própria – eu desenvolvi um método de respiração e relaxamento. A cada contração, eu me concentrava, respirava profundamente e relaxava todos os músculos do meu corpo. Isso me ajudou e foi fundamental.

Fiquei debaixo do chuveiro por mais alguns minutos e até que ela me tirou de lá, me levou para cama. Aferiu os batimentos cardíacos do Biel e viu a minha dilatação. Eu tinha combinado com ela e com a Fê, que eu não queria saber quanto eu estava de dilatação.

Pensem comigo, se depois de tudo que eu já tinha passado descobrisse que não tinha dilatação alguma ou estava com 2cm de diltação, a minha cabeça iria pirar, meu neocortex seria super ativado e poderia atrapalhar a evolução do TP. Por isso, a Kira só contou para o Rodrigo e para obstetra. Depois eu fiquei sabendo que naquela altura já estava com 6cm de dilatação.

Em algum momento (lembram que eu estava num universo paralelo? não consigo lembrar de cada minuto) a Kira, a Dra. Fernanda decidiram que já era o momento de ir para a maternidade, por volta de meia-noite e meia/ uma da manhã. Nesta hora, Rodrigo foi tomar banho e terminar de se arrumar. Ao mesmo tempo, a Dra. estava checando em qual unidade tinha vaga no quarto de parto humanizado.

Durante a parte da tarde tinha vaga na unidade mais perto da minha casa (local de minha preferência), mas de noite já não tinha mais. A Kira veio me perguntar se eu topava ir para a unidade da Barra ou se preferia ir para a unidade de Laranjeiras ficar num quarto comum. Lembrei do relato de uma amiga, na qual ela me falou que o trajeto tinha sido uma das piores partes do TP. Por conta disso, cheguei a titubear mas acabei optando pela unidade mais longe – e foi a melhor coisa que fiz ever, explico melhor nas considerações finais!

Marido pediu um táxi (que chegou super rápido). Ele e a Kira se encarregaram de levar tudo, eu só lembro de ter pego o meu travesseiro. Sempre fiquei imaginando se o taxista ao ver que era uma gestante em trabalho de parto se ele iria recusar a a corrida (hahaha), mas não, ele foi super tranquilo, colocou  uma música baixa e foi rápido, mas sem ir correndo.

Eu estava preparada para ter as piores contrações no carro, mas me surpreendi. Lembro da Kira me contar depois que eu me “comportei” muito bem durante o trajeto, que eu praticamente sorria entre uma contração e outra (hehehe).

Entrei no carro, fechei os olhos, agarrei fortemente o travesseiro contra a minha barriga e fazia a técnica que desenvolvi com a dica da Kira. Isso junto com o balancinho do carro me ajudava a relaxar. Acho que nunca curti tanto uma rua com asfalto irregular…

A esta altura já tinha percebido um padrão nas contrações. Dificilmente vinham duas contrações bizarramente doloridas uma atrás da outra. Normalmente vinham umas duas ou três fracas ou medianas, aí vinha uma fortona. Diante disso, durante o trajeto eu tive apenas duas contrações bem dolorosas, lembro que uma foi no túnel Zuzu Angel, agarrei fortemente o “puta que pariu” do táxi (alguém conhece outro nome para este acessório?), tentei relaxar, mas não ajudou não.

Chegamos na maternidade por volta das duas da manhã. Mal saí do táxi e veio o segurança com a cadeira de rodas. A minha obstetra querida já estava lá, na porta da maternidade me esperando. Ela perguntou se eu precisava da cadeira e eu metida a corajosa falei que não. Lembrei de uma das nossas consultas, onde ela me contou que durante o parto da filha dela ela não quis usar a cadeira de rodas para sentir o que as parturientes dela do serviço público sentiam. Eu já estava no corredor, mas veio uma contração, daquelas mega fortes, e eu implorei pela cadeira de rodas. Percebi que era impossível colocar em prática a minha técnica de “passar pela contração” em pé, andando.

Ao mesmo tempo, o recepcionista da maternidade quis “me barrar”, dizendo que eu tinha que fazer a pré-internação, assinar documentos, essas burocracias. Lembro da minha obstetra ter respondido de forma firme algo do gênero: “ela está em trabalho de parto avançado, quase parindo, não vai parar para nada” hehehe minha ídola! Seria impossível ficar ali preenchendo formalidades. Lembro que o Rodrigo ficou para fazer algo e eu segui para o centro cirúrgico.

… to be continued…

ps. calma! para chegar na sala de parto humanizado é necessário passar pelo centro cirúrgico!
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Relato de parto – parte 1

O relato do parto será dividido em algumas partes. Consegui escrever esta primeira parte enquanto o Biel estava dormindo/ brincando, ou seja, foi escrito aos poucos. Não consegui reler e muito menos revisar. Então, o relato é um texto em aberto, conforme for lembrando de mais detalhes ou partes importantes, vou incorporando. Mas posso adiantar para as curiosas (os) de plantão que tive um parto natural (livre de qualquer tipo de intervenção), na qual o respeito, o carinho estiveram presente em todos os momentos. Biel nasceu às 6:06am do dia 18 de março de 2013 com apgar 10, 52cm e 3,475g de muita gostosura.

Durante a gravidez eu conversei muito com o Biel, pedia a ele para me deixar curtir a primeira semana de licença pré-parto (assalariado feelings), ainda queria encontrar a enfermeira obstetra (E.O) mais uma vez, comprar o livro de assinatura da maternidade, arrumar a mala da maternidade, entre outras pequenas coisas. Por sua vez, marido que só tinha direito a cinco dias corridos de licença paternidade pedia para ele nascer num domingo, segunda ou terça, para ele aproveitar o máximo de dias com a gente.

A data prevista para o parto (ou 40 semanas) era dia 23/3/13, na minha cabeça ele nasceria dia 19 ou 20 de março. Algo me dizia que ele seria do signo de peixes. A semana de licença correu tranquila, aos poucos fui terminando o que deveria ser terminado e no sábado dia 16/3 marquei dois horários com a E.O (Kira) para fechar uns assuntos com a presença do maridão. Durante o mês de fevereiro ele viajou a trabalho e ficou duas semanas fora, com isso não pode me acompanhar.

No final do encontro com a Kira mencionei que tinha desinchado completamente, ela me olhou de forma reticente, desconversou falando algo que não me lembro e agendamos o próximo encontro. Eu brinquei “será que vai ter próximo encontro?”. Passei o resto do dia na rua… fui almoçar com um casal de amigos e seu filho lindo, a noite fui visitar o afilhado do marido. Chegamos em casa perto de meia-noite e lá fui eu tirar a última foto da barriga.

Ao descarregar as fotos da câmera para o computador entrei em crise… comparando as fotos da barriga percebi que a barriga estava menor. Na verdade bem menor, parecida com a foto da 37ª semana. Tanto que ia postar a foto, escrever o post, mas broxei totalmente. Resolvi me arrumar para dormir e durante esse processo fui fazer xixi, ao me limpar percebi que meu tampão mucoso começou a sair.

Pronto, o processo de alguma forma estava começando naquele momento. Racionalmente sabia que o trabalho de parto (TP) poderia começar nas próximas horas ou demorar uma semana, mas fato é que ele ia começar. Terminei de me arrumar e fui dormir.

Naquele momento eu não liguei os pontos, mas barriga menor mais tampão mucoso começando a sair era um sinal de que Biel já estava encaixado.

Na semana que antecedeu ao parto, dormir estava um tanto quanto incomodo. Cada vez mais era difícil deitar, virar e me levantar da cama. Junto com isso, o número de idas ao banheiro tinha aumentado (cerca de cinco/ seis vezes por noite). Curiosamente na noite que antecedeu ao TP, não acordei uma única vez para ir ao banheiro!

Acordei por volta das sete e meia da manhã de domingo para ir ao banheiro achando que ainda era de madrugada. Fiquei feliz ao ver que a noite tinha passado e eu não tinha acordado uma única vez. Ao levantar da cama, senti um liquido escorrendo pelas minhas pernas. Pronto, minha bolsa estourou! Fui molhando o caminho da cama até o banheiro e pensando: “Graças a Deus que não estourou no colchão novo”. Ao me limpar percebi que o tampão mucoso ainda estava saindo. Coloquei o absorvente pós-parto (o líquido amniótico continuava escorrendo), sequei o chão, avisei ao marido do rompimento da bolsa, falei para ele continuar dormindo e resolvi mandar torpedos para minha obstetra e para E.O.

“Bom dia Dra. Fernanda, essa noite o tampão mucoso saiu e agora de manhã minha bolsa estourou. Estou começando a sentir contrações que parecem cólicas menstruais. Beijos Júlia, Gabriel e Rodrigo”

Rodrigo e eu tínhamos combinado não contar do início do TP para ninguém, nem para nossos pais. Queríamos curtir esse momento juntos, sem pressão, sem ansiedade.

Fui comer alguma coisa e terminar de arrumar a mala da maternidade. A maioria das coisas já estavam separadas, faltava apenas colocar tudo dentro da mala. Depois que fiz isso, voltei a dormir. Consegui dormir mais um pouco, quando acordei marido já estava de pé. Durante a parte da manhã as contrações eram irregulares, cerca de 4 por hora e me lembravam pontadas de cólica menstrual.

No início da tarde, a Dra. Fernanda me ligou para saber como estava o andamento do TP, expliquei o que estava sentindo e ela me explicou que provavelmente os meus sintomas iriam diminuir durante a tarde, para eu não ficar encucada, que a ocitocina é um hormônio da noite, que provavelmente as contrações iriam aparecer com mais força no início da noite.

Durante a parte da tarde as contrações se mantiveram irregulares, cerca de quatro ou cinco por hora, mas começaram a ficar um pouco mais doloridas. Em cada contração eu sentia que o liquido aminótico saia mais um pouco. A cada contração eu puxava a cordinha dessa lua (foto abaixo) que o Biel ganhou de um casal de amigos. A música ia nos embalando durante a contração.

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E de fato em algumas horas não senti contração alguma. Consegui almoçar tranquilamente sem sentir nada.

Lembrando da explicação da minha médica sobre a ocitocina ser um hormônio da noite e o que aprendi no livro do Michel Odent sobre a questão dos estímulos ao neocortex, eu achei que tinha que ficar num quarto escuro, sem muitos estímulos curtindo as contrações para o TP evoluir  - olha aí a minha tendência de controlar o incontrolável. Por volta de quatro e pouco da tarde falei com a Kira que me sugeriu ir dar uma caminhada, uma relaxada, para me distrair e deixar as coisas acontecerem.

Cheguei a descer com o Rodrigo, caminhamos um pouco, mas começou a chover, tivemos que voltar para casa.

Por volta de seis e meia da tarde, minha obstetra me ligou dizendo que uma outra E.O, a Diana, (que também faz parte da equipe da Dra.) viria aqui em casa ver como estava o andamento do TP, ver os batimentos cardíacos do Biel, etc. Ela chegou aqui por volta de sete e meia da noite, a esta altura as contrações estavam ficando mais intensas, mais doloridas. A cada contração o meu corpo se contraía por inteiro.

Ela aferiu minha pressão, viu os batimentos cardíacos do Biel, das artérias, do cordão umbilical, tudo perfeito. Enquanto ela estava aqui pintou uma contração e foi bom porque ela pode acompanhar a evolução e a recuperação do Biel.

Vou dizer que a vinda da Diana antes do TP engrenar de fato foi fundamental, porque aquela altura, no final da tarde/ início da noite, os meus medos, as minhas neuras estavam surgindo. Medo do TP não engrenar, de não ter dilatação, medo de não aguentar, de ser muito difícil, medo do Biel não estar bem e por aí vai estavam assolando a minha mente… Impressionante, tudo que aprendi durante os meses de gestação eram colocados a prova. Eu racionalmente sabia que um monte dos meus medos eram irracionais, que não faziam sentido, mas vai explicar isso para o seu lado emocional?

… to be continued…

Para ler a segunda parte do relato, clique aqui: Relato de parto – parte 2

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